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Vestir o que?

 

 


 

"Recomendo-lhes a simplicidade santa" (S. Francisco de Sales)

 

"Por isso é que eu lhes digo: não fiquem preocupados com a vida, com o que comer; nem com o corpo, com o que vestir. Afinal, a vida não vale mais do que a comida? E o corpo não vale mais do que a roupa? Olhem os pássaros do céu, eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros. No entanto, o Pai que está no céu os alimenta. Será que vocês não valem mais do que os pássaros? Quem de vocês pode crescer um só centímetro, à custa de se preocupar com isso? E por que vocês ficam preocupados com a roupa? Olhem como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Eu, porém, lhes digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. Ora, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, muito mais ele fará por vocês, gente pobre de fé!" (Evangelho de Mateus 6,25-30).

O ser humano é com certeza a mais bela obra de Deus. Deus entregou ao homem toda a Criação, para que desse nome a todos os animais, toda as outras criaturas. Ouvi de um jesuíta há alguns meses que a gente só dá nome àquilo que é nosso. Nomear indica posse. Temos um animalzinho de estimação, logo arranjamos um nome carinhoso para ele, bem assim até com objetos que possuímos. Pessoas há que dão nome aos seus computadores, outros ao seu violão, etc... e por aí vai.

Antes que eu me perca por outros caminhos, retomo o início do parágrafo anterior. A mais bela criação de Deus, nasceu "pelada". Assim, temos que nos proteger do frio, das intempéries, etc. E o que deveria ser apenas "proteção", virou um negócio para lá de lucrativo, a "Indústria da Moda", que no mundo inteiro movimenta muitos milhões, talvez bilhões de dólares, contando para isso com as legiões de homens e mulheres que se tornam seus escravos.

Há uma necessidade premente de ser aceito pelo grupo social dominante, então temos que provar que "somos dignos" de respeito, ao acompanhar a Moda, reafirmando nosso status além do narcisismo que envolve a todos. Somos os mais belos, os mais elegantes, ou não? "Há alguém mais linda do que eu?", já perguntava a madrasta da Branca de Neve.

No dito mundo da Moda, quanta escravidão, quanta prisão! Modelos macérrimas, anêmicas, num mundo onde a fama fugaz e momentânea é o objetivo não só de todas as meninas adolescentes mas até das que já se transformaram em belas e infelizes jovens, obsecadas pelo sucesso, pela quantidade de desfiles e contratos fabulosos que conseguem, vivendo num clima de competição feroz, de inveja, de intriga, drogas, provavelmente exploração sexual e não se sabe o que mais. Imagino que deve haver exceções, como em tudo na vida, mas devem ser poucas, não é? O maior fantasma aí é o envelhecer, o ser suplantado por alguém mais jovem, mais belo(a).

Pois então gente, para que complicar? Será que precisamos mesmo disso para sermos felizes? Uma boa roupa, que nos proteja das oscilações do tempo, que nos deixe confortáveis, não seria o bastante? O que era meio, virou fim. Invertemos tudo e depois lamentamos por nos sentirmos tão vazios, frustrados e pior, muitas vezes com um monte de dívidas para pagar, de roupas em excesso que às vezes nem num ano conseguimos vestir. Conheci pessoas que viviam endividadas e ao receberem o pagamento nem tinham idéia de como iam fazer para pagar as dívidas das boutiques. E estamos no Brasil, terra onde ser classe-média e pobre dá no mesmo. Conheço pessoas que compram mais roupas e sapatos do que conseguem usar. Algo que não dá para compreender.

 

Meu conselho, que se fosse bom, ninguém dava, como dizia minha avó, mas vendia caro: tenha uma roupa, um modelo mais clássico, desses que nunca saem mesmo da moda para ocasiões mais importantes. No mais, adquira roupas boas, duráveis, que sempre se encontram a preço mais barato, em geral longe dos shopping centers, em bairros mais simples, que você usa no seu dia a dia e desescravize-se da moda. Seja mais livre, leve e solto(a). Reparta aquilo que você tem no seu guarda-roupa e não usou por um ano ou mais. Se não usei uma roupa por um ano, não hesito, dou a alguém que sei que vai usá-la e precisa. O mesmo com sapatos. Às vezes a gente compra um sapato pela empolgação, por achar bonito. Ao usar pela primeira vez constatamos o péssimo negócio que fizemos. Nos aperta, nos tortura, nos dificulta o andar, um horror. Doe, sem dó. Ou talvez, tente quem sabe vender numa loja dessas que compram usados, tente trocar por algo que realmente vai usar. O que vale é o conforto. Os nossos pés já sofrem tanto, correndo para todo lado, tentando resolver todos os problemas que nos caem na cabeça. Merecem um descanso, um carinho.

Você não sendo escravo da moda, vai em breve descobrir que sobra mais um dinheirinho para você fazer outras coisas, quem sabe uma viagem, conhecer novos lugares, pessoas, aumentar seus conhecimentos, sua cultura, fazer um curso novo? E nem por isso vai precisar comprar "aquele" guarda-roupa. Use o racional, pergunte-se sempre: "preciso disso mesmo?"; "meu marido, filho, filha, precisa mesmo disso?"

Dê preferência à fibras naturais, evite os sintéticos que apesar de vantagens tais como não ter que passar (alguns) não oferecem condições de nossos poros respirarem. Suamos, o suor por sua vez não evapora e aí já viu né? Procure se informar, aprender sobre aquilo que você usa, consome. Não seja um(a) comprador (a) compulsivo (a), mas esclarecido e exigente pois assim você estará beneficiando antes de tudo a você mesmo, depois ao resto do planeta. Não se endivide por causa da moda, seja livre!

Este é o início de um caminho. O caminho da simplicidade. "A roupa não faz o monge". Não é nos cobrindo de roupas caras e sofisticadas que vamos ser melhores, que vamos ser mais amados. Não é comprando tudo o que achamos em nossa frente que ficaremos mais bonitos. Já o somos! Nossa auto-estima deve ser baseada no nosso caráter, em uma boa-vontade pré-existente em nosso ser, na nossa solidariedade e responsabilidade em relação à humanidade, ao nosso mundo. Em nossa capacidade de amar, de nos doarmos, deixando de lado o egoísmo e o narcisismo que não fazem parte de nosso verdadeiro ser, mas foram "adquiridos" e inculcados pela cultura moderna, principalmente o capitalismo desenfreado. Principalmente, por sermos TÃO AMADOS por Deus, ao experimentar esse Amor, percebemos que é mais fácil ser simples.

Como dizia Exupery, "o essencial é invisível aos olhos - só se vê bem com o coração". Esse essencial é o nosso eu interior, nosso ser verdadeiro que a maioria de nós não conhece. Vamos deixando que ele apareça, vamos tirá-lo do meio de tanto entulho e ficaremos quem sabe, surpresos ao descobri-lo.

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